O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou os efeitos da regra que redistribui as cadeiras da Câmara Federal entre os estados. O ministro Luiz Fux acolheu o argumento do senador Davi Alcolumbre (União-AP), de que aplicar a mudança já em 2026 provocaria um impacto drástico e sem a devida maturação do debate. Assim, a alteração só deverá ser consolidada nas eleições de 2030.
Para o Piauí, a decisão tem peso direto. O estado, que perderia duas cadeiras na Câmara dos Deputados — caindo de 10 para 8 — preserva sua atual representação. O reflexo chega também à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), que seguiria a redução automática de 30 para 24 parlamentares, mas continuará com sua composição atual até o fim da década.
O adiamento, avaliam analistas, funciona como uma “sobrevida institucional” para os estados menos populosos. De um lado, críticos apontam que a decisão apenas adia um corte inevitável e mantém distorções na representatividade. De outro, defensores sustentam que a postergação evita um desequilíbrio súbito e assegura voz política a regiões que, mesmo com menor densidade demográfica, têm papel estratégico na federação.
Com isso, o Piauí mantém o mesmo peso nas discussões legislativas locais e nacionais até 2030. A questão, no entanto, voltará à pauta inevitavelmente, quando a equação entre população e representação precisará ser resolvida de forma definitiva.


