A Polícia Federal concluiu o inquérito que investiga a vereadora de Piripiri, Francinalva Coelho de Melo, conhecida como Nalvinha Melo, e a indiciou pelo crime de lavagem de dinheiro, previsto na Lei nº 9.613/1998. O relatório final foi encaminhado à Justiça Federal na última quinta-feira (25).
A parlamentar foi presa em flagrante na quarta-feira (24), logo após sacar R$ 500 mil em espécie em uma agência do Banco do Brasil, no município de Piripiri. A investigação aponta que a movimentação financeira chamou a atenção dos órgãos de controle e deu origem às diligências da Polícia Federal.
Investigação começou após alerta do Coaf
De acordo com as investigações, o caso teve início após um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar a programação de um saque de alto valor em dinheiro.
Com base nas informações, equipes da Polícia Federal passaram a monitorar a movimentação e acompanharam a retirada da quantia na agência bancária. A abordagem ocorreu logo após a conclusão do saque.
As apurações também revelaram que a conta bancária utilizada pela vereadora registrou movimentações consideradas incompatíveis com o perfil financeiro apresentado, somando mais de R$ 2 milhões em créditos entre 2025 e 2026.
Segundo a PF, os elementos reunidos indicam possíveis práticas de ocultação e dissimulação da origem de recursos, fundamento que embasou o indiciamento por lavagem de dinheiro.
Defesa alegou compra de imóvel
Durante o depoimento prestado no momento da prisão, Nalvinha Melo informou que o dinheiro seria destinado à compra de um imóvel na zona urbana de Piripiri.
Entretanto, a Polícia Federal avalia que a utilização de grande volume de dinheiro em espécie em negociações imobiliárias pode dificultar o rastreamento da origem dos recursos, sobretudo diante da suspeita de que os valores possam estar relacionados a crimes contra a administração pública.
Posteriormente, ao ser interrogada formalmente, a vereadora optou por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Empresas também são alvo das investigações
As investigações apontam ainda que a parlamentar possui ligação com uma empresa que teria recebido pagamentos de diversos municípios entre 2022 e 2026, em valores considerados elevados pelos investigadores.
Além disso, a PF identificou que Nalvinha Melo figurou como sócia ou administradora de outras sete empresas. Conforme a análise financeira realizada durante o inquérito, essas empresas apresentariam movimentações consideradas atípicas, levantando suspeitas de possível ocultação patrimonial.
Vereadora foi solta após audiência de custódia
Apesar da prisão em flagrante e do indiciamento, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à vereadora durante audiência de custódia realizada na quinta-feira (25).
Na decisão, o magistrado entendeu que não estavam presentes os requisitos legais para converter a prisão em flagrante em prisão preventiva. A parlamentar foi colocada em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para aprofundar a análise das movimentações financeiras e dos vínculos empresariais identificados ao longo do inquérito.


